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segunda-feira, 1 de junho de 2015

* PAIXÃO, AMOR, PAIXÃO... * / * É SONHAR EM VÃO...*












      Estar apaixonado (a) é natural, pois todos nós somos dotados de um imenso deslumbramento em relação ao que causa frisson e a paixão seja talvez a maior das luxúrias que nos damos o prazer em vivê-las!  Quando o coração se apresenta, assim, de repente, numa forte comoção é sinal que foi almejado direto pela paixão e todo seu ser, quase que imediatamente responde com arrepios pelo corpo, num latejar violento em desejos quase canibal, desejo da carne, do inteiro, da posse do ser amado... Daí, não existe mais ninguém, mais nada ao redor e nem mais além que não seja somente a razão de sua paixão! Tudo começa a acontecer em razão de sua paixão, você é sua paixão, você respira sua paixão, sua alma é a sua paixão, você nasceu, cresceu, vive e viverá a eternidade por sua paixão... 
       ... Mas o tempo vai passando e essa paixão, antes tão violenta, tão extremista, vai suavizando de maneira tão intensa quanto inexplicável, tão deliciosa quanto necessária, tão inteira quanta metade, tão simples quanto beleza, tão eterna quanto vida, tudo é mesmo infinidade e afinidade... Agora você está amando, simples assim! Agora você consegue ver que o mundo é maravilhoso, que existe gente maravilhosa, que a natureza é fantástica e perfeita e que em meio a tanta beleza, você junto ao ser amado é essa harmonia que faz com que tudo seja motivo para conquistar cada vez mais a liberdade de poder amar e de ser amado (a)!
      É notório que paixões não resolvidas acabam muitas vezes num vazio sem futuro... Os apaixonados não conseguem navegar junto ao tempo que torna para eles muito vagaroso, não conseguem alimentar saudavelmente a necessidade de estarem inteiros para depois poder dividir-se igualmente e continuarem inteiros... Eles se deixam estraçalharem e se perdem no tempo deixando para trás, um futuro muitas vezes solitário, quem sabe!?  Atrapalhado, né!? Mas muitas vezes não se pode explicar esses inexplicáveis! Ou pode? Sei lá! O amor deveria ter o cuidado de se deixar também apaixonar todos os dias e ser sempre único, inteiro, porém metade do ser amado... E nunca haveria assim, um adeus à vida para viver a solidão!
      ... Viver a paixão e consequentemente viver o amor e continuar amando na paixão!  Por que amar tanto assim é viver paraísos! 
“O meu coração é um coração que ama e que se apaixona todos os dias ao meu amor eterno”! Até lá!
Maria Barros









Uma cena romântica no ar...
Um amor eventualmente majestoso!
E meu ser trepidante a declamar
um desejo ardoroso e aventuroso!

Quero - te a boca! Quero-te só meu!
Quero-te numa cena assim, cinética!
Quero-te deleitoso! Ah, me acendeu...!
Quero-te tudo! Sabes que sou eclética!

Quero-te meu! Ser tua perversão!
Quero-te sempre! Ser tua paixão!
Ser teu anoitecer..., e alvorecer!

... Mas a cena desbota-se em suor...
Agora somos sós! Ermo maior...
Só restam sonhos para o anoitecer!

Maria Barros












(Herbert Vianna/Paulo Sergio Valle )    

domingo, 17 de maio de 2015

* OUTONOS DE JACI... (QUARTA E ÚLTIMA PARTE) * / * TE ESQUECER? *








      (Quarta e última parte)

      - Sem deixar que a moça saísse de seus braços, Ubiratan pousa o corpo de sua amada sobre um colchão de folhas secas que se estendia em capins cheirosos que rodeavam o riacho... A hora não era para raciocínios, não era hora de deixar que suas razões formassem barreiras, envolvendo costumes e raças; a hora apenas inspirava amor e paixão e a vontade ardente e louca de saciarem essa vontade que guardavam, sem saber, do corpo, um do outro!
      - Jaci, Jaci, deixa-me acalmar essa fúria de paixão que me domina nesse momento!  Preciso deixar que essa agonia feita desejos exploda em prazeres, essa fúria de amor e paixão que fará de mim, mais homem, para você! Você que é meu primeiro amor, minha primeira mulher! Ubiratan deixa que todos esses anos que seu coração amoroso e seus desejos que ardiam de amores sem que soubesse o porquê, invadam os ouvidos e corpo de Jaci, que lhe responde e devolve a mesma paixão, o mesmo amor sentido, sem que soubesse ao certo, o que era, na verdade!
      - Ubiratan, falastes tudo de você, que igualmente corresponde o que vem de mim... Te amo, meu primeiro amor, meu primeiro homem e que a vida nos deixe eternos, um para o outro! Fala Jaci, que já se encontra totalmente envolvida entre os braços fortes do amado, deixando-o ser acolhido pelo prazer de suas entranhas... Foram tantas entregas! Seus prazeres saciados, seus amores revelados e juras de eternidades proferidas durante horas que se estenderam até a metade da tarde, enquanto seus corpos estendidos procuravam restabelecer forças... 
      - Ubiratan! Fala a moça em tom assustado e levantando-se rapidamente! - O Sol já caminha em direção ao oeste! Estamos aqui desde cedo e meus pais devem estar preocupados... 
O rapaz olha para a direção do Sol e responde: - Com certeza deve ser entre dezesseis e dezessete horas, sem erros! E segurando as mãos de Jaci, lhe diz, olhando bem fundo em seus olhos: - Amanhã de novo? Diz que vem! Não sei mais como viver longe de você!
A moça, por completa, apaixonada por ele, responde-lhe ao mesmo tempo em que lhe abraça: - Se não der para vir pela manhã, com toda certeza à tarde estarei aqui, esteja o tempo como estiver, estarei aqui, meu amor! 
Os dois se abraçam muito forte e seus lábios se perdem num beijo apaixonado...
... Jaci vira-se para mais um adeusinho ao amado, enquanto ele vê a sua amada ir em direção à casa dos pais... 
Amores de infância guardados e descobertos totalmente diante à saudade que ambos sentiam quando separados... Agora Jaci e Ubiratan sabem onde seus corpos vão pousar para diminuir a força da saudade e deixar que seus corações possam alimentar cada vez mais desse amor que não há de acabar nunca, porque tem raízes profundas no solo de seus corações... Quanto às famílias, saberão como lutar e impor seus direitos ao amor...! 
Maria Barros









Que seja o mau destino de presságio,
Que se fez petro feito grande rocha!
Qu’importa! Anoiteceu! Que triste adágio,
Que me fez ouvir cantos da carocha!

Mas amanheceu e eu sei! Foi sem querer!
“Que meu leito dormiu sem ter você”!
E nem fechei meus olhos pra morrer...
Só sei que fora triste de se vê!

O dia, inteiro, m’encara, soberano!
Faz-me girar nas horas, “contumaz”,
Sem bater um segundo só de paz!

Fora d’enganos meu destino insano,
Que se fez tarde pra se ser feliz... 
Mas te esquecer, jamais! Isso eu não quis!
Maria Barros









quarta-feira, 1 de abril de 2015

* OUTONOS DE JACI... *( Primeira Parte) / * OUTONO EM DESALINHO *






(Primeira parte)

O tempo castigava impiedosamente o vilarejo, com isso, o rio transbordara e sua água já tomava mais da metade de sua parte baixa, trazendo caos ao lugar... As famílias procuravam abrigo junto aos amigos que moravam mais distantes ou nas colinas ao redor... Era final de verão e embora fossem comuns as tempestades nessa época, há muito o vilarejo não sofria com tamanha catástrofe dessa natureza! 
         Lá no topo da colina, num dos pontos onde a vista alcançava todo o vilarejo e seus arredores e também o lugar mais privilegiado, morava Senhor Joaquim e sua família. Sua esposa, Dona Isaura, estava no último mês de sua terceira gravidez e a quantidade de relâmpagos e trovões, deixavam-na extremamente aflita e apreensiva, pois a parteira Dona Iraci, u’a mulher indígena e mais velha do lugar e também a que ajudou a trazer ao mundo quase todo o povo dali, morava na parte baixa e com esse tempo não teria como encontrá-la, caso Dona Isaura entrasse em trabalho de parto. 
        Mais um dia se fora e mais dois depois desse, sem que o tempo ruim se afastasse, até que na madrugada desse quarto dia, Dona Isaura, sentindo um desconforto que ela já conhecia muito bem o seu significado, levantou-se da cama sem atrapalhar o sono de seu esposo e foi até à janela respirar um ar puro... O alvorecer trazia junto a si, o nascer do Sol que já exibia a luminosidade de seus raios ainda meio escondidos atrás dos montes. O céu também já exibia o seu azul luminoso e belo e à mais uma contração, o olhar embaçado pelas lágrimas de emoção, impediam a senhora de admirar o restante do espetáculo que anunciava o princípio de vida além-ventre do ser que estava por vir... 
         Dona Isaura, mulher forte e corajosa, acostumada aos trancos da vida, ora fortes, ora suaves, fora com cuidado chamar seu esposo que com a certeza que ela já sabia, iria pular da cama em total descontrole e aflição pela aproximação do parto... E realmente, seu Joaquim corria de um lado para outro acordando os outros filhos; Lia de nove anos e Jr de onze anos e num instante a casa era um alvoroço e na calma de sempre a mulher deu as ordens: - Calma a todos! Não tem ninguém passando mal aqui! É só um bebê que está por nascer e precisa que o pai se acalme e vá buscar a parteira...  Senhor Joaquim, respirou fundo e olhou pela janela já aberta e viu que o tempo se afirmara e em poucos minutos já estava fora de casa disposto à aventura em achar a parteira. Embora tivesse sido a tempestade bem duradoura, ela trouxera mesmo, fora mais lamas pelos caminhos e alguns móveis danificados durante a cheia do rio, ao inundar as casas mais próximas da orla... Coisas que a união do povo resolveria em pouco tempo! Depois de meia hora ele encontra a parteira que havia terminado um parto prematuro, mas com a bênção de Deus e a seriedade profissional de Dona Iraci, tudo correra bem e agora, junto ao Senhor Joaquim, subia a colina de cabeça baixa, pois era seu costume uma longa oração antes de cada parto feito por ela que dizia sempre que nada se faz com perfeição e amor se não houver sobre quem trabalha, as mãos de Deus a abençoar!
            Ao chegarem a casa, Dona Isaura já se encontrava deitada e seus filhos ao redor, com Jr segurando-lhe a mão e Lia penteava os cabelos da mãe com seus dedos, trazendo-lhe assim, conforto a cada contração... 
           Dona Iraci ordena às crianças que fossem brincar no quintal e com a ajuda de Sr Joaquim, alguns procedimentos foram feitos e ele agora confortava a esposa enquanto a parteira iniciava o parto que se adiantara muito enquanto o marido fora a seu encontro... 
          Um pouco mais e a parteira, ao balbuciar algumas palavras indígenas, de contentamento, ajuda a trazer ao mundo uma linda menina!
          - Que nome terá essa linda criança nascida à luz desse início de outono!? E diante da felicidade estampada nos rostos de todos, Dona Isaura se adianta e fala, ao segurar a filha em seus braços: - Seja bem vinda, amada JACI! Seu nome Jaci, mãe dos frutos, que nasce nessa manhã gloriosa do primeiro dia do outono, lhe trará felicidades, abundância, fertilidade e fecundidade de espírito! 
            As crianças pulam de alegria ao entrar para desejar boas vindas à irmãzinha que acaba de chegar... Depois de tudo acertado, Dona Iraci se despede, prometendo voltar no dia seguinte para uma visita! A família está em festa! 

Maria Barros


(Nasce Jaci! O que o inelutável destino dessa linda menina nascida no primeiro dia do outono de sua vida, lhe reserva? Qual será a direção de seus acasos? >>> Não perca a segunda parte dessa história que começa num dia glorioso de Sol! >>> AQUI, BREVEMENTE EM MEU BLOG!)






Nas soltas folhas que brincam nas tardes,
Calmas, silentes, que partem de mim...
São elas doces sons que tonteardes,
Quando sou outono, tão vólucre e afim!

Sou folhas que já não fazem caminhos,
E se, se formam, são fósmeos, insanos...
Brincam e voam e nem sentem espinhos...
Pobres! São vidas curtas, jaz d’enganos!

Sou branda, sou ardente poesia!
 Cio amadurecido d’ousadia!
Reajo, e logo sou fertilidade!

E, nas folhas que brincam d’alegria,
Que no outono de mim, sou fantasia,
Nem sabem elas: - Sou fértil saudade!
Maria Barros